«FADO DA LISBOA DOENTE» – Maria do Rosário Pedreira

Non solo poesie ma anche un poetico Fado che sarà presto musicato

Quem a viu e quem a vê,
Esta Lisboa onde moro.
Mas não perguntem porquê.
Pois, se explicar, ainda choro.

Na padaria da esquina
Já só se entra às pinguinhas
E até se tornou rotina
Estar a um metro das vizinhas.

Há fila para a farmácia,
Fila pró supermercado;
E nem é precisa audácia
Para se andar mascarado.

Nas traseiras do meu prédio
Uma jovem namorada
Tenta combater o tédio
Com uma videochamada.

A uns metros de distância
Parte um atleta em corrida;
Para manter a elegância
Há que fazer pela vida.

De resto, com a emergência,
Ficam as ruas desertas.
Podemos conferir a ausência
Pelas janelas abertas.

Está tudo em teletrabalho,
A olhar p’ró monitor.
Mas não encontro o atalho
Para vos falar de amor.

Dar beijos é só por escrito,
Que o vírus mata a valer.
E está tudo tão aflito
Que nem apetece ler.

Ai Lisboa, que saudade
Da tua irrequietude.
Mesmo que, em boa verdade,
Mais importante é a saúde.

Que tudo passe ligeiro,
E não afecte o meu ninho.
Da Praça do Areeiro
Envio um tele-beijinho!

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